


A adoção de inteligência artificial nas empresas brasileiras entrou em um momento decisivo. De acordo com o Kyndryl Readiness Report 2025, divulgado nesta segunda edição anual e baseado em entrevistas com 3.700 líderes empresariais de 21 países, o Brasil vive um “ponto de virada” no uso estratégico de IA — combinando alta expectativa de transformação com gargalos estruturais que ainda limitam o avanço.
O estudo mostra que 92% dos líderes brasileiros acreditam que a IA transformará completamente suas organizações nos próximos 12 meses, e que os investimentos em IA cresceram, em média, 40% no último ano. As empresas já começam a observar retornos iniciais, mas enfrentam obstáculos significativos para escalar seus projetos.
Segundo Spencer Gracias, diretor-geral da Kyndryl Brasil, o país vive uma combinação de entusiasmo e alerta:
“Vemos grandes progressos em IA, mas lacunas em tecnologia e talentos continuam sendo obstáculos para a próxima fase das empresas brasileiras.”
Principais achados do relatório:
• Infraestrutura ainda trava a inovação:
50% das empresas afirmam que seus projetos de IA ficam estagnados após provas de conceito por limitações tecnológicas e arquiteturas legadas.
• Falta de profissionais qualificados:
43% dos líderes apontam escassez de talentos capazes de lidar com as novas ferramentas de IA — apenas 39% consideram suas equipes tecnicamente preparadas.
• Pressão por ROI aumenta:
61% sentem maior cobrança para demonstrar retorno financeiro dos investimentos em IA, especialmente após o aumento de 40% nos aportes realizados no último ano.
• Impactos na força de trabalho:
92% acreditam que a IA redefinirá completamente os empregos em suas organizações em até um ano, acelerando a necessidade de requalificação.
• Preocupações geopolíticas mudam estratégias de nuvem:
77% dos CEOs brasileiros estão mais atentos ao risco regulatório e de soberania de dados. Como resposta,
– 48% revisaram políticas de governança,
– 34% realocaram dados para infraestrutura interna, e
– 29% migraram para provedores locais de tecnologia.
Cibersegurança ganha prioridade
Com o avanço da IA, cresce também a preocupação com riscos digitais: 49% das empresas aumentaram investimentos em cibersegurança, reforçando que resiliência operacional é parte central da estratégia de IA.
Pacesetters: quem avança mais rápido
O relatório também identifica as empresas que lideram a maturidade digital (“Pacesetters”). Essas organizações:
são 32 pontos percentuais menos propensas a enxergar sua pilha tecnológica como barreira;
têm 30 pontos percentuais mais chances de possuir nuvem adaptável a novas regulações;
sofreram 20 pontos percentuais menos incidentes de cibersegurança no último ano.
A Digital Tech Show 2026 acompanhará de perto essa transformação. Em maio, o evento reunirá especialistas e empresas líderes em IA, automação, infraestrutura crítica, cloud e gestão de dados para discutir como construir organizações preparadas para a próxima década de inovação.