


O ano de 2025 foi marcado pela explosão do termo “agentes de IA” em eventos, lançamentos e discursos de big techs. Mas afinal, como esses agentes estão sendo usados na vida real? Para responder a essa pergunta, a Perplexity AI, em parceria com pesquisadores da Universidade de Harvard, conduziu o primeiro estudo de grande escala sobre o tema — e os resultados revelam um cenário bem diferente do que muitos imaginavam.
A pesquisa analisou centenas de milhões de interações anônimas com o Comet, navegador inteligente da Perplexity, e seu assistente integrado. O objetivo era entender quem usa agentes, com que intensidade e para quais tipos de tarefas.
Os achados desmontam a ideia de que agentes de IA seriam utilizados apenas para tarefas simples, como agendar compromissos, reservar viagens ou responder perguntas triviais. Segundo o estudo, 57% das atividades registradas envolvem trabalho cognitivo complexo, exigindo raciocínio, síntese e tomada de decisão. Isso inclui desde criar relatórios, analisar dados e estruturar ideias até resolver problemas técnicos.
Outra constatação surpreendente é que 36% dos usos estão relacionados à produtividade, como organizar fluxos de trabalho, revisar documentos, resumir conteúdos extensos e filtrar informações. Já 21% das interações envolvem tarefas de aprendizagem e pesquisa, com estudantes e profissionais delegando parte do estudo, curadoria e análise de materiais ao agente.
Os pesquisadores destacam que os agentes estão sendo usados exatamente para aquilo que ninguém gosta de fazer manualmente: tarefas demoradas, repetitivas ou mentalmente cansativas. Em vez de substituir atividades humanas de alto valor, eles atuam como um ampliador de capacidades, permitindo que indivíduos ganhem tempo e foco.
O estudo também identificou que a adoção é maior entre profissionais com alta escolaridade e em países com maior PIB per capita, especialmente em áreas como tecnologia, marketing, consultoria, finanças e comunicação. Para a Perplexity, isso indica que os agentes estão se tornando rapidamente parte da infraestrutura digital de trabalhadores do conhecimento.
Os resultados reforçam uma tendência clara: a próxima onda da inteligência artificial não será apenas conversacional — será operacional. Agentes preparados para agir, executar, cruzar dados e transformar intenções em realizações devem se consolidar como o próximo grande salto da produtividade global.
Esse debate estará presente na Digital Tech Show 2026, que reunirá especialistas e empresas nos dias 5 e 6 de maio, em São Paulo, para analisar o impacto dos novos agentes autônomos no futuro dos negócios e da tecnologia.