


A aceleração da inteligência artificial, a necessidade de decisões cada vez mais rápidas e a crescente preocupação com confiança, soberania digital e resiliência tecnológica estão no centro das transformações que devem marcar o ambiente corporativo em 2026. É o que revela o relatório “Cinco Tendências para 2026 – América Latina”, publicado pelo IBM Institute for Business Value (IBV), com base em pesquisas realizadas com executivos C-Level e consumidores em diversos mercados.
De acordo com o estudo, 99% dos executivos da América Latina afirmam que precisam tomar decisões em ritmo cada vez mais acelerado, enquanto 85% reconhecem que perderão vantagem competitiva caso não consigam operar em tempo real. Nesse cenário, a IBM destaca que a IA deixa de ser apenas uma ferramenta assistente e passa a atuar de forma mais autônoma: um em cada quatro executivos globalmente afirma que agentes de IA já tomaram ações independentes em 2025, e 69% dos líderes latino-americanos esperam contar com essa capacidade até o final de 2026. Ainda assim, o relatório alerta que apenas 40% das iniciativas com agentes de IA tiveram sucesso mensurável, evidenciando desafios de governança, integração e maturidade tecnológica.
Outra tendência relevante diz respeito à relação entre pessoas e tecnologia. O estudo mostra que 61% dos colaboradores globalmente esperam mudanças significativas em seus papéis em 2026, impulsionadas pelo avanço da IA, enquanto 81% acreditam que conseguirão acompanhar essas transformações. Além disso, 63% afirmam que trabalhariam com um agente de IA e quase metade se diz confortável em ser gerenciada por esse tipo de tecnologia. Apesar disso, 62% dos executivos latino-americanos ainda percebem apreensão dos colaboradores, indicando um descompasso entre percepção da liderança e expectativa dos profissionais.
No campo do consumo, o relatório aponta que inovação e tolerância a falhas caminham lado a lado com exigências claras de transparência. Mais da metade dos consumidores globais se mostra entusiasmada com serviços baseados em IA, mesmo aceitando eventuais falhas, mas 89% querem saber quando estão interagindo com sistemas de inteligência artificial. Para os executivos da América Latina, a confiança será determinante: 95% afirmam que o sucesso de novos produtos e serviços dependerá diretamente da confiança do consumidor na IA. O estudo também indica que ocultar o uso de IA pode gerar perda de credibilidade e até mudança de marca por parte dos clientes.
A soberania da IA surge como outro ponto central da agenda executiva. 87% dos líderes latino-americanos afirmam que a soberania da IA deve integrar a estratégia empresarial em 2026, refletindo preocupações com dependência excessiva de infraestrutura computacional concentrada em determinadas regiões. Mais da metade dos executivos da região reconhece riscos associados a essa dependência, reforçando a importância de resiliência tecnológica e controle sobre dados, modelos e capacidade computacional.
Por fim, o relatório destaca o papel emergente da computação quântica como catalisadora de novas vantagens competitivas, especialmente quando combinada à IA. Segundo a IBM, organizações abertas à adoção dessa tecnologia têm três vezes mais probabilidade de atuar em múltiplos ecossistemas, enquanto 88% dos executivos da América Latina reconhecem que parceiros estratégicos ajudam suas empresas a lidar com impactos da disrupção. A colaboração em ecossistemas, o compartilhamento de dados e a inovação conjunta aparecem como diferenciais para quem deseja se antecipar às mudanças.
O estudo do IBM Institute for Business Value foi conduzido a partir de uma abordagem de dupla perspectiva, reunindo 1.028 executivos C-Level de grandes organizações em 20 setores, além de 8.500 respondentes na pesquisa com consumidores e colaboradores, com diferentes níveis de conhecimento em inteligência artificial. A análise reforça que, mais do que adotar novas tecnologias, as empresas precisarão alinhar estratégia, cultura, governança e confiança para competir em um cenário cada vez mais orientado por IA em 2026.